sábado, 6 de dezembro de 2008

Leituras alternativas do mesmo DNA fazem humano ser mais complexo

Pesquisadores descobrem que DNA pode ser lido na “contra-mão”.

Fato deve mudar a forma de como a informação genética é vista.

As pesquisas sobre DNA sofreram uma mudança de direção. Até agora os cientistas pensavam que a estrutura era lida e copiada de uma única maneira. Mas quatro artigos publicados na revista científica “Science” desta semana mostraram que o DNA é uma via de mão dupla. Aliás, comparando ao movimento de uma grande avenida, sua leitura pode ser feita pelos carros passando trafegando nos dois sentidos e pelos pedestres, que podem atravessar a avenida carregando informações.

Os pesquisadores acreditavam que a leitura do DNA era feita em apenas uma direção. Além disso, pensavam que apenas cerca de 5% era lido e passado para as células. O resto era visto como “lixo”, que sobrou da evolução, sem nenhuma função. Cada uma das quatro equipes de pesquisadores realizou um estudo específico sobre essas ações. De modo geral, afirmam que a atividade de cópia e transmissão dos dados do DNA é mais complicada do que parece.

Como acontece com a imensa maioria dos seres vivos, a informação genética dos humanos é armazenada sob a forma de DNA -- uma molécula que tem uma imensa seqüência de letrinhas genéticas, organizadas aos pares, numa fita dupla com o formato de uma escada torcida, que mora no núcleo de cada célula. São essas letrinhas contidas no DNA que representam as informações necessárias para formar e reproduzir a vida. Essa informação “secreta” é decifrada e levada a outras partes da célula por um processo conhecido como transcrição. Mas o convencional era pensar que a leitura do DNA, produzindo essa transcrição, só acontecia numa direção.

O que os cientistas descobriram agora é que o DNA pode ser lido e copiado nas duas direções. E mais, as transcrições no sentido contrário ao observado antigamente pelos pesquisadores são abundantes e distribuídas por todo o genoma. Além disso, podem ser diferentes, de acordo com cada tipo de célula.

Assim, mostrou-se que o antigo “lixo” também é copiado por uma substância que faz o papel de "máquina de xerox" genética -- a chamada RNA polimerase II. Ela é responsável pelo trabalho de "transcrever" o conteúdo do DNA, na forma de moléculas de RNA -- versões mais simples das informações presentes no genoma, algo como "fotocópias de trabalho", que são despachadas para outras partes das células para influir no metabolismo do organismo.

O estudo liderado por Torben Heick Jensen, do Departamento de Biologia Molecular da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, identificou uma nova classe de "máquinas de xerox" genéticas chamada PROMoter uPstream Transcripts (PROMPTs).

Graças às PROMPTs, o DNA pode ser transcrito da esquerda para a direita ou vice-versa. Também, seus pontos iniciais e finais variam. Segundo os autores, a descoberta deve rever sobre como a informação genética é processada e como esse processo é regulado. O próximo passo da equipe é delimitar a função das PROMPTs para saber como os genes são regulados. “O estudo apresenta um paradigma para a descoberta”, dizem os pesquisadores.

Nickolas Papadopoulos, professor da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, é um dos autores de outro artigo sobre as “cópias” genéticas. O pesquisador, junto com os colegas, descreveu uma técnica que determina de qual parte do DNA é feita cada cópia.

Inclusive, a equipe acredita que as transcrições -- no sentido oposto do que havia sido proposto antigamente pelos cientistas -- parecem ser uma característica que faz parte das células humanas. E os estudiosos sugerem que ela seja um componente fundamental da regulação gênica. “Esse método será útil para estudar a expressão de cada parte ‘copiada’ na evolução, no câncer e em outras doenças”, conta Papadopoulos em entrevista ao G1.

As demais pesquisas, da Universidade Cornell e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, ambos nos Estados Unidos, apresentam indícios sobre o mesmo tema. Eles apresentam um método que mapeia a posição, quantidade e orientação da transcrição -- o resultado implica que a interação entre o DNA e sua cópia é mais produtiva e eficiente. E sugere transcrições unidirecionais e provenientes de mais genes. Essas cópias também podem ajudar na regulamentação do processo.

Via: G1

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